Retrato Memorial

Bom Dia!

A forma como encaramos a morte e o luto, não é representada em nossos cemitérios apenas em obras de arte ou jazigos monumentais. Túmulos simples, alguns cheios de significados, outro cheios de histórias (muitas vezes que ninguém sabe mais contar) também transmitem o pesar e tentam fazer essa ponte entre o mundo dos vivos e dos mortos.

Sempre que visitamos cemitérios, várias perguntas vem a nossa mente: “o que faziam”, “no que trabalhavam”, “como morreram”, “como eram”…

Em alguns casos, através do chamado “Retrato Memorial”, é possível saber como era o falecido. Segundo Maria Elizia Borges, em seu artigo A Fotografia em Túmulos Brasileiros: Ornamento e Memória:
” (…) O termo Retrato Memorial foi cunhado inicialmente por Ron Horne,um norte americano que fez uma pesquisa com os fabricantes de retratos de porcelana nos Estados Unidos, no fim do século XIX (…). (…) A inclusão do retrato memorial se faz presente nestes tipos de construções (populares). Para a pesquisadora Lisa Montanarelli os retratos memoriais têm a função de preservar a memória individualizada dos falecidos nos espaços em que estão depositados os seus restos mortais. Assim eles satisfazem os anseios da família burguesa que deseja eternizar-los diante da comunidade, e contribuem para a elaboração do luto. Este hábito da sociedade brasileira está presente em todas as camadas sociais e perdura até a atualidade de modo crescente.”¹

2015 - Luis Anselmo Zanforlin - Arte Tumular - Jazigo Ourinhos

Segundo esse mesmo artigo, os retratos memoriais ganham força na década de 1930. Nos cemitérios paulistanos, é mais comum nos de origem mais humilde e em bairros populares. Nos considerados “de elite”, é mais popular no do Aracá (da burguesia imigrante) e no São Paulo (da burguesia industrial), no da Consolação os retratos são bem mais raros. (elite cafeeira, final do segundo reinado ainda no início da introdução da fotografia nos costumes).

Para abrir nossa Galeria de Retratos Memoriais, posto a foto tirada no Cemitério da Saudade, na cidade de Ourinhos, SP.

“Aqui jaz
Luis Anselmo Zanforlin
✩ 4.12.1876
✝ 16.04.1949
Saudades de seus filhos e netos”

Com informações do pesquisador Leandro Carmona:
” Luigi Anselmo Zanforlin nasceu em 4 de outubro de 1876 em Borsea, província de Rovigo, Itália. Era filho de Antonio Zanforlin e Luigia Cattozzo. Chegou ao Brasil aos quinze anos com seus pais e irmãos em 15 de junho de junho de 1891 a bordo do vapor Solferino.”

2015 - Luis Anselmo Zanforlin - Arte Tumular - Ourinhos
Muitas famílias já desapareceram na história… ou mudaram seus caminhos depois da partida do ente querido… essa publicação tem como objetivo manter alguma lembrança viva daqueles que descansam no tempo…

Nos comentários, a foto do jazigo inteiro.
Fonte: ¹ http://www.artefunerariabrasil.com.br/admin/upload/artigos/A%20FOTOGRAFIA%20EM%20TUMULOS%20BRASILEIROS.pdf

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