Para depois de morto…

Boa Tarde!

É comum vermos nos túmulo, epitáfios como esse de Domingos para sua amada Caterine. Um poema, uma bela foto, saudade…

GEDSC DIGITAL CAMERACaterina Gattosi Carnovali
A minha esposa
“Chamou-te Deus, para a vida eterna,
Agora triste vivo, com saudades e dôr,
Tu baixaste nessa campa fria, sorrindo e bella
Esposa minha adorada, oh! rara flôr,
Renasceste lá no céu como uma estrella
Ingressaste já no Reino do Senhor,
Não te digo adeus, mas breve ao teu lado
Amar-te ei eternamente socegado”
Domingos

Mas não é tão comum, o falecido deixar sua mensagem “para depois de morto”:

GEDSC DIGITAL CAMERADomingos Carnovali Sobrinho
Escrevo, para depois de morto

Deus vos agradeço em attender minha prece
O meu corpo nesse jazigo a repousar,
Minh’alma, no além resuscitada aparece,
Impaciente estava minha esposa a me esperar
Não mais sósinho estou; mas a ella unido,
Glória a Vós, sempre havemos de cantar,
Osvaldinho, que é nosso netinho querido
Senhor Jesus, rogamos a elle abençoar.
Domingos
5-6-1937

Além da data acima, não consta mais nenhuma data, nem de nascimento ou falecimento de nenhum dos dois. Difícil saber se ele demorou para “ficar ao lado” da amada. Outra coisa que achei curiosa, a forma como ele fala sobre o neto, “Osvaldinho, que é nosso netinho querido”, dá a entender que a avó não chegou a conhecer o garotinho.

De concreto mesmo, encontrei o nome de Domingos no jornal Correio Paulistano, na seção jurídica. Parece que fazia cobranças e protestos ou na seção de “anniversários” do jornal “O Combate” de 04 de dezembro de 1917.  A citação mais importante que encontrei relaciona seu nome ao bairro de Mirandópolis. Segundo Levino Ponciano em seu livro “São Paulo: 450 bairros, 450 anos”, página 187:

“A área onde está hoje Mirandópolis pertencia, no fim do século XIX, a Antônio de Oliveira Ramos. Como estava endividado, Ramos ofereceu a propriedade a um dos credores, Domingos Carnovali Sobrinho. Não pagou a conta e a chácara caiu nas mãos de Carnovali no ano de 1915. Anos mais tarde, em 1943, com o lento progresso da região, as terras foram compradas pela Sociedade Paulista de Terrenos. As imediações já davam sinais de desenvolvimento, apesar da “grande” distância do centro da cidade. E assim outra empresa (Sespa S.A.) comprou a área e a loteou a partir de 1951. Eram grandes terrenos com muitas árvores e flores.(…)

GEDSC DIGITAL CAMERA

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s