Alexandre Siciliano

De Amadeu Zani, também autor do mausoléu de Eduardo Prado, há o sepulcro do Conde Alexandre Siciliano (1860-1923), hoje em melancólico abandono [Rua 22 – Terrenos 3-4].

GEDSC DIGITAL CAMERA

GEDSC DIGITAL CAMERA

Monumento, de 1927, com alegorias assírio babilônicas, tem na figura feminina sobreposta ao portal da capela provavelmente a mais sombria das esculturas do Cemitério, a figuração de uma mulher em profunda dor.

Alexandre Vincenzo Siciliano nasceu na Itália. Tornou-se conde papalino, em 1916, com título obtido do Papa Benedito XV. Foi industrial, um dos donos da Companhia Mecânica e Importadora, e banqueiro. Propôs, em 1903, um consórcio de exportadores de café que levantariam fundos com banqueiros europeus para financiar a retenção de estoques, conter a queda nos preços e promover a valorização do produto.

 

Ao Conde Alexandre Siciliano, gratidão da lavoura brasileira, no 2º centenário do cafeeiro no Brasil 1927
Ao Conde Alexandre Siciliano, gratidão da lavoura brasileira, no 2º centenário do cafeeiro no Brasil 1927

 

 

 

Adotada pelo governo de São Paulo, essa proposta se materializaria no chamado Convênio de Taubaté, em 1906, um acordo entre os governos de São Paulo, Minas e Rio de Janeiro, os três maiores produtores. O Convênio ficou mais famoso do que seus resultados, que não impediram a crise do café, de 1929, por falta de mercados, decorrência da crise econômica mundial daquele ano.

O sepulcro de Siciliano e sua família têm a monumentalidade de uma capela privada. Nessa obra de Amadeu Zani se expressa uma concepção estética da morte oposta à de Francisco Leopoldo e Silva, que fora seu discípulo. A obra de Silva é límpida, a inocência sensual de seus nus funerários expressa uma certa resistência da vida em face da morte, enquanto a arte de Zani simboliza a introspecção, a entrega, o recolhimento e a dor. A monumentalidade da capela do Conde Siciliano retrata uma religiosidade conformista, de descrença na vida, de fragilidade completa em face da morte.

Todas as fotos foram tiradas entre 2012/2013 por Felipe Alexandre Herculano
O texto acima foi tirado do guia do Cemitério da Consolação.

 

Detalhes da porta do jazigo da Família Siciliano.
Detalhes da porta do jazigo da Família Siciliano.
O leão simboliza poder e ressurreição. Sua figura sugere proteção ao túmulo em que estiver esculpido. Também recorda a coragem e determinação das almas que eles abrigam.
O leão simboliza poder e ressurreição. Sua figura sugere proteção ao túmulo em que estiver esculpido. Também recorda a coragem e determinação das almas que eles abrigam.

 

GEDSC DIGITAL CAMERA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Detalhe da janela lateral e da cruz que adorna o topo do sepulcro.
Detalhe da janela lateral e da cruz que adorna o topo do sepulcro.
Anúncios

2 comentários sobre “Alexandre Siciliano

  1. Já visitei o mausoléu do Conde, fiquei fascinado por cada detalhe!! É simplesmente uma obra de arte! Mas uma obra de arte meio dark, não alegre, me deu arrepios!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s