Eduardo da Silva Prado

Arte Tumular – Cemitério da Consolação
Jazigo de Eduardo da Silva Prado

À direita da capela do cemitério, e à esquerda de quem entra, no lado oposto àquele da sepultura da Marquesa de Santos, encontra-se o túmulo do paulistano Eduardo da Silva Prado (1860-1901) [Quadra 10 – Terreno 5]. Ele se distingue dos túmulos ao redor pela coluna partida de pedra rósea, que na linguagem simbólica dos cemitérios quer dizer que, para os amigos e parentes daquela pessoa, se tratava de alguém que morreu antes do tempo, alguém que merecia viver muito mais. Era amigo de Eça de Queirós, cuja família acolheu em Paris quando da morte do escritor. Os amigos de ambos eram da opinião de que Eduardo Prado fora a inspiração do perfil de Jacinto de Tormes, personagem de Eça, em A cidade e as serras.

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GEDSC DIGITAL CAMERAEduardo Prado era filho da lendária dona Veridiana Valéria da Silva Prado, filha do Barão de Iguape, com seu tio Martinho da Silva Prado. Riquíssima família de fazendeiros de cana de açúcar e, sobretudo, de café, industriais, banqueiros, donos de empresas, eram dos principais acionistas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro e da Vidraria Santa Marina. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, na qualidade de sócio correspondente e Patrono da cadeira nº 5 da Academia Paulista de Letras.

Monarquista, como toda a família, foi de todos eles o que menos se adaptou ao fato consumado da proclamação da República, que considerava cópia do modelo americano, postiço em relação à realidade brasileira. República nascida como ditadura, no golpe de Estado do Marechal Deodoro, em 1889, combateu-a através de seu jornal e logo de início combateu-a através da publicação dos livros Os fastos da ditadura militar no Brasil (1890) e A ilusão americana (1893), este confiscado pelo governo. Tornou-se um dos primeiros perseguidos políticos da República. Foi processado, seu jornal foi empastelado, teve que fugir, vagando pelo interior de Minas e da Bahia, até poder embarcar para o exílio na Europa.

O sepulcro despojado é de autoria de Amadeu Zani (1869-1944), italiano de Rovigo, reduzido à simbólica coluna partida e ao medalhão com o retrato de Eduardo Prado em relevo. Tem características mais de monumento de praça pública do que de cemitério e o próprio medalhão é mais retrato fotográfico do que escultura. O que talvez se explique pela precocidade da morte de Eduardo Prado e as características sociais, culturais e de mentalidade de sua família, aberta aos encantos dos saraus, das viagens e das virtudes da riqueza. Muito pouco funerária como se vê pelos túmulos de outros membros da família neste mesmo cemitério, desde o túmulo do Barão de Iguape, avô de Eduardo, na pracinha ao redor da capela. É significativo que nessa família de monarquistas, com exceção do patriarca, o Barão de Iguape, não tenha havido apreço pelos títulos nobiliárquicos, uma atitude bem característica do ascetismo burguês. Faleceu em São Paulo, aos 41 anos, em 30 de agosto de 1901.

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Fonte: Guia História e Arte no Cemitério da Consolação – Textos de José de Souza Martins
Foto: Felipe Alexandre Herculano – 2012

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